TRATAMENTOS

Texto elaborado por: *Prof. Dr. Francisco Emílio Pustiglioni

A doença periodontal atinge um grande número de pessoas em todo o mundo.

Seu primeiro sinal é o sangramento gengival (gengivite).

Existem, basicamente, dois tipos de doença que afetam as gengivas, a GENGIVITE e a PERIODONTITE.

A gengivite é uma inflamação das gengivas provocada pela presença de placa bacteriana (biofilme) e tártaro. Se não for tratada, a tempo e convenientemente, pode progredir, provocando a destruição do osso de suporte dos dentes (periodontite). Esta perda de suporte pode levar ao “amolecimento” dos dentes (mobilidade dentária) e, nas fases mais avançadas, à sua esfoliação (o dente cai).

Como estas doenças (gengivite e periodontite) dependem da presença da placa bacteriana para se desenvolver e permanecerem em atividade, são, na realidade, infecções.

Como em qualquer infecção, a sua cura depende da remoção das bactérias e a prevenção de nova contaminação a níveis que permitam o desenvolvimento de nova doença (reinfecção).

A placa bacteriana possui um grande número de bactérias com capacidade de provocar o aparecimento das “doenças gengivais” (bactérias periodontopatogênicas). O tártaro, sendo áspero, está sempre recoberto por placa bacteriana.

A remoção das bactérias (placa bacteriano e tártaro) é feita por meio da “limpeza dentária” realizada pelo cirurgião dentista, e pela higiene oral realizada pelo paciente.

A Higiene Oral não consiste apenas da escovação dentária, ela inclui o uso de fio dental e escovas interdentárias. O paciente necessita de orientação, por parte do dentista, para que possa realizar adequadamente a Higiene Oral.

Como a Higiene Oral é uma manobra rotineira nem sempre é realizada com o cuidado necessário. Assim sendo, é necessário que o paciente retorne ao consultório dentário a intervalos regulares. Estes intervalos devem ser determinados pelo dentista, conforme a gravidade e característica da doença apresentada pelo paciente e da eficiência de sua Higiene Oral.

TRATAMENTO

GENGIVITE: remoção da placa bacteriana e cálculo, Higiene Oral, manutenção e controle (retornos periódicos). Os retornos periódicos não implicam em novo tratamento. Nesta consulta o profissional examina o paciente para verificar se a saúde está sendo mantida e se os fatores que provocaram a doença estão sendo controlados. Novo tratamento só será realizado se houver recidiva da doença, ou seja, se a Higiene Oral não estiver sendo sido realizada com o cuidado necessário.

PERIODONTITE: quando as perdas ósseas são pequenas o tratamento é praticamente o mesmo utilizado na gengivite. No entanto, quando as destruições do osso de suporte são mais extensas, em algumas circunstâncias há necessidade de tratamento cirúrgico. Este é realizado com a finalidade de eliminar as bolsas periodontais ou de reduzir sua profundidade. São também de extrema importância os retornos periódicos

É indicado o uso de antibióticos por se tratar de uma infecção? Não. O antibiótico, para tratamento da doença periodontal, só deve ser utilizado em determinadas situações, ditadas pelas características da doença e do paciente. Esta decisão quem toma é o profissional. O uso indiscriminado de antibióticos pode ter conseqüências sérias para o paciente.

AUTO EXAME

O paciente deve examinar sua própria boca. O que ele deve procurar?

  • Sangramento
  • Vermelhidão nas gengivas
  • Dentes com mobilidade
  • Gengivas “amolecidas”
  • Retrações gengivais

Encontrando, ou suspeitando, de qualquer destas alterações deve procurar o seu dentista, ou o periodontista para que ele o examine e esclareça suas dúvidas.

Não podemos esquecer que a boca faz parte do organismo e que doenças bucais, como a gengivite e a periodontite, podem apresentar reflexos na saúde geral do paciente.

Alguns pacientes portadores de doenças crônicas, como Diabetes, por exemplo, estão mais propensos a doenças periodontais. Por outro lado a presença de inflamação nos tecidos periodontais dificulta o controle do Diabetes. Estas duas doenças interagem piorando as condições de saúde do paciente.

Como qualquer outra infecção, a doença periodontal pode facilitar a passagem de bactérias, através da corrente sanguínea, para diversos órgãos do corpo. Assim pode vir a complicar o quadro cardíaco de alguns pacientes. Especula-se também, que estaria envolvida no nascimento de crianças de baixo peso (prematuros).

*Prof. Dr. Francisco Emílio Pustiglioni – Prof. Titular da Disciplina de Periodontia da Faculdade de Odontologia da USP

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