Afinal, é Bucal ou Oral?

Texto elaborado por: *Prof. Dr. Mauro Ivan Salgado

O artigo de Maurício Ferreira, secretário geral da ABO-Uberaba(MG), publicado no Jornal Nacional da ABO no 129, convoca para o debate de esclarecimento sobre o uso de oral e bucal. Afinal, deve-se falar oral ou bucal? Ele pede uniformidade de linguagem e esclarece em seu trabalho como entende o bucal e diz que oral é “tudo o que passa pela boca”. É consenso, que o assunto é de suma relevância para toda ciência e cultura.

Falando com profundidade sobre este tema, Idel Becker, apresentou à Faculdade de Medicina de São Paulo, na cadeira de Medicina Legal, Social e Deontologia Médica, em 16/9/1968, sua tese “A nomenclatura Biomédica no Idioma Português no Brasil”. Publicada como livro pela Ed. Nobel, SP, em 1972, ele registra – pp249-255 – que “oral e bucal são adjetivos relativos à boca, parecem iguais no significado, mas são muito diferentes”. Enquanto oral refere-se à boca no sentido verbal, vocal e de expressão oral, bucal significa a boca no sentido físico, anatômico. Ele comenta que o hábito de usar oral em lugar de bucal, deve-se a influência da tradução (dizem que, tradução é traição sic) da literatura publicada em inglês e do latim oralis (oris) das diversas Nominae Anatomicae.

Sua revisão mostra a maior precisão do português (vide acima) em relação ao inglês. Cita Dunning e Davenport, 1936, e a American Dental Association, ADA, conceituando bucal como “Pertaining to the cheek, towards the cheek, or next the cheek,” em contraste com a ambiguidade dos famosos dicionários ingleses. A Academia Argentina de Letras também condenou em 1966, o uso de oral por bucal.

Ao final, ele convida para se dizer “exame oral (não escrito) de cirurgia bucal. Para a boa oralidade, a clareza da fala, é necessária uma intensa salivação bucal. É isso aí, “oral é tudo que passa pela boca”. Como na receita médica, “via oral or per os”.

*CD, médico, Mestre e Doutor em Medicina Cir, Prof. Adj. FM UFMG

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